segunda-feira, 6 de abril de 2009

escrita automática

se eu começar a escrever, a despejar, simplesmente a escrever pensamentos, ideias, emoções e não pensar na acção de escrever em si mas só em relata-los sem me preocupar sequer com erros ortográficos, será que consigo libertar tudo o que tenho dentro da cabeça a ocupar espaço e a reduzir-me a uma série de ideias que me prendem sem me deixar espaço para agir?

parei. voltei atrás. corrigi os erros.

eu sou assim, se pensar bem no assunto fui sempre assim. ajo por vezes e com sorte por instinto, porque sinto o ímpeto de fazer certas coisas, mas logo, uns segundos depois a mente entra em acção e a "carolina" que me observa de cima com um olhar julgador que vigia e pune, desce do seu pedestal e prende-me, impedindo-me de continuar a agir só porque sim.

será o meu lado racional? será a educação e a noção de senso comum a restringir-me?

não consigo pensar já no certo ou errado porque pensando bem, tal não existe, mas entrando no campo das suposições, que sabendo de ante mão não nos leva a lado nenhum mas no entanto adoramos visitá-lo por vezes, se todos agisse-mos simplesmente, o mundo seria certamente diferente. e nós? mais verdadeiros? viveríamos mais e melhor? mas se somos também as limitações que nos habitam este jogo de agir e parar será uma constante irreversível? não será também pequenino demais o deixar ir sem pensar que temos algum poder sobre isto? porque temos, além das vontades temos sempre escolher, todos os dias, umas mais racionais outras mais instintivas, mas são sempre escolhas. poderia dizer que somos donos de 50% das nossas vidas, somos sócios da vida, mas apesar de não estar sob o nosso total controle, também não estará a 100% entregue ao destino. e talvez estes mesmos números pequeninos sejam variáveis consoante as situações, e numas talvez nos habitemos mais e noutras sejamos mais manipulados. a balança pende mas nunca desprende,

tenho muito espaço no disco rígido ocupado com informação antiga e dispensável. para limpar a cabeça nunca posso fazer reset mas posso limpar o que está ao meu alcance.

um dia uma sábia fonga disse-me:
"o bom de estar na merda é que sabes que vais sair, eventualmente, porque é o que acontece sempre."

a seguir perguntei-me se seria também preciso ter a consciência de que quando está tudo bem, pode ficar tudo na merda novamente. não tive resposta, mas acho que se uma delas nos dá a esperança e força para continuar a acreditar na mudança, a outra nos agarra a um bem estar que nos cega e faz crer que nunca voltaremos a perder essa felicidade. bom, não é?

3 comentários:

AFT disse...

"poderia dizer que somos donos de 50% das nossas vidas, somos sócios da vida" ... genial, parabens

acho q a escrita automática é apenas ...automática. se nos permitirmos continuar a despejar o que nos vai na cabeça, sem censura e sem preocupação, sentimo-nos aliviados de uma forma que, na vdd, não ultrapassa a dormência ... perdemo-nos numa máscara com um sorriso e nos abraços que se deixam romper e caricias que não nos conseguem tocar, mas conseguimos ficar embalados (o q já não é mau)

o teu mal é-me familiar, como me havias dito em tempos, e por isso compreendo. acho q o truque é tentar seguir o caminho daquilo que me provoca respostas (e qd algo nos toca, embora viremos a cara, normalmente sabemos mt bem o que isso é).
é isso q vou tentar fazer... seguir esse camiho independentemente das consequências e dos medos, e seguir esse caminho até q, provavelmente, não me leve a lado nenhum (até ao retorno)

um beijo

AFT disse...

é vdd, havia um poeta que dizia "a dor passa (ocorre no tempo), mas a felicidade/ victória, por mais breve que seja, é eterna"

infelizmente não me lembro mt bem, nem me lembro de quem seja (capaz de ser da idade)

AFT disse...

é vdd, desculpa os erros q provavelmente dei, mas estou cheio de pressa (atrasadissimo)

e com este... já são 3 coments ("n ha fome q n dê em fartura", certo?)