quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

sem título

o momento em que os pés se agarram ao chão como que a criar raízes.

o momento em que da boca saem palavras que nunca pensámos pronunciar.

o momento em que o coração nos atraiçoa só pela sua sincera espontaneidade.

é amor? são só momentos..? o que é o amor se não feito de momentos?

(faz sentido questionar? quando o questionamos não saímos já do próprio estado?)

uma frase a martelar-me na cabeça:
"o instante em que o momento nasce; a mulher não resiste à voz que chama pela sua alma apavorada; o homem não resiste à mulher cuja sua alma se torna atenta à sua voz" - a insustentável leveza do ser - Milan Kundera

então será o amor a não resistência? não quero resistir..aliás.. não resisto. mas os momentos em que a mente se dissocia do corpo além de bons e verdadeiros não passam disso mesmo, momentos, nunca poderá ser a constância que julgo encarnar o amor.

será o facto de não me soar bem a forma como dizes o meu nome um sinal de que não es tu? mas não és tu o que? e essa mesma reacção racional a um estimulo da tua voz que não pode ser visto sem a carrada de bagagem que tenho inscrita na minha memória poética não e só por si sem valor? .... eu quero respostas? acho que não...mas as perguntas continuam a chegar...
continua tudo a pairar sobre mim como um inacabado jogo de crianças...
decisões..decisões..decisões..
parte do ser adulto? é?.. não as consigo tomar..

não resisto, resigno-me a ser fraca e peço-te que escolhas por mim. deposito em ti a minha confiança e no me íntimo oiço uma voz da qual não gosto a torcer para que sejas tu a deixar-me...porque eu não consigo. não consigo sair daqui. o meu corpo não se mexe. os meus pés ganharam raízes aqui. as palavras continuam a sair, ou a sua ausência a assombrar-me. e o coração, a fazer o que ele faz..a bombar sangue ininterruptamente pelo meu corpo.

(sem maneira de acabar este texto.. desculpa David, já que vais ser o único a lê-lo (lol) parêntises dentro de parêntises? alguns deviam ser rectos? ..não importa. acaba assim. não tenho como o acabar. acaba tu se quiseres. ou não)

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